domingo, 17 de agosto de 2014

Os melhores discos femininos de 2014 - Parte 1

 Estamos na segunda metade de 2014 e vários foram lançados desde janeiro, portanto, o Gramofone Online reuniu os melhores discos femininos neste ano e você verá que as mulheres estão longe de ser o sexo frágil, muito pelo contrário, elas estão com tudo:

No Mythologies to Follow - MØ:

Karen Marie Ørsted é dinamarquesa e lançou no ano passado o seu primeiro EP, Bikini Daze, que conta com a música  "XXX 88", que foi produzida pelo Diplo. A música está presente também em seu disco de estréia, que foi lançado em Março. Flertando com música eletrônica e indie pop, chegou num resultado que leva o ouvinte para uma viagem de sentimentos, como a nostalgia psicodélica de "Maiden", a divertida "Don't Wanna Dance" e passando pela sensual "Slow Love". A edição deluxe conta com 4 músicas inéditas, sendo "Gone and Found" uma delas e definitivamente a música que devia ter entrado na edição normal do disco. Impulsivo e cheio de jovialidade, o disco desperta tais características em quem o escuta, tornando-o um dos melhores debuts dos últimos anos na música pop.



Food – Kelis:


Kelis é uma artista absurdamente versatil e esse novo disco é a prova radical disso! O nome do album surgiu de um acordo entre Kelis e os músicos: Eles trabalhariam no disco em troca de pratos preparados por ela, que se formou recentemente na escola de culinária Le Cordon Bleu. O disco tem um estilo completamente oposto do disco anterior, Flesh Tone, no qual Kelis mergulhou na música eletrônica. Food é realmente saboroso! Trata-se de um disco de soul com diversas influências de funk, elementos de músicas pop e recheado com trompas e tudo isso coberto com a maravilhosa voz de Kelis. O primeiro single "Jerk Ribs" abre o disco e é ótima, mas as coisas ficam melhores quando chegamos em "Forever Be" e em "Floyd" logo em seguida. "Cobbler" começa com um grupo de mulheres conversando em português. Sim! Parece que estão se divertindo numa festa com dança, bebidas geladas, tempo perfeito, risadas e piscina. Alguns fãs não gostaram do trabalho, afinal, foi uma mudança radical: do Hip Hop de "Milkshake"  para o disco mais mid-tempo de sua carreira. Será esse o início de uma fase alternativa para a cantora? De qualquer forma, Kelis continua a surpreender com criatividade!


Ultraviolence – Lana Del Rey:

Após o lançamento de "West Coast", os fãs já imaginavam qual seria o clima do disco. Frio. Cinza. Noir. Duramente depressivo. Se o Born to Die tem músicas fofas como "Video Games" e até animadas como "Diet Mountain Dew", esse disco começa e termina nos romances trágicos, cercados por armas, dinheiro e abuso. O disco começa com "Cruel World", carregada de influências do Pink Floyd e Lou Reed, assim como no resto do disco. E isso é maravilhoso! Ultraviolence é definitivamente o crescimento da cantora como artista, e apesar dos temas das letras serem basicamente os mesmos cantados em seu primeiro disco, creio que o que conta é a evolução musical e o amadurecimento vocal, pois não imagino a Lana não cantando sobre amores amargos. O disco tem uma edição deluxe com três faixas bônus, e "Black Beauty", que ja havia vazado, é uma delas. "Guns and Roses" devia ter entrado na edição normal do disco, afinal, além de ser uma homenagem a uma das maiores bandas de rock, a música contém alucinógenos que prendem o ouvinte a cada repetição no refrão.


Blank Project – Neneh Cherry:

Quase duas décadas após o lançamento de seu último disco, Man, Neneh Cherry nos presenteou com um trabalho ousado e totalmente diferente do que fez na década de 90. O disco começa com “Across the Water” que calmamente te desafia a entrar e acompanhar os ritmos das faixas seguintes. “Spit Three Times” é um dos pontos mais altos de um album sem pontos baixos, na qual a cantora fala sobre uma relação sexual em que existe o vício mútuo, e pede para que seu amante a deixe em paz. Seguimos para “Weightless”, que mantém o nível de interesse do ouvinte explodindo em temperaturas vulcânicas. Entre as 10 músicas do disco, Neneh manteve a coerência e não perdeu o foco, e manteve o soul de sua voz presente em meio de influências eletrônicas, como em “Out of the Black”, com participação da cantora Robyn – definitivamente uma colaboração inesperada, e eu diria até, a mais deliciosa desse semestre. 




St. Vincent – St. Vincent:


Quando pensávamos que não poderia nos dar algo melhor que o delicioso Love This Giant, um disco em colaboração com David Byrne, Anne Clark tirou outra carta da manga e esse é, provavelmente, o momento mais artístico de sua carreira. “Rattlesnake” abre o disco e define o estilo afiado do disco que, no geral, revela o amplo talento de St. Vincent como cantora e compositora. Em “Birth in Reverse”, podemos nos identificar com a letra, que fala sobre um dia ordinário, no qual a cantora lista as prioridades em uma linha: tirar o lixo, me masturbar. I prefer your love to Jesus é a declaração presente em “I Prefer Your Love”, uma balada que nos permite recuperar o fôlego. “Bring Me Your Loves” e “Every Tear Disappears” marcam a segunda metade do disco, que chega a ser mais interessante que a primeira, mas sem favoritismo, pois se trata de de uma sofisticada coleção de músicas – All killers, no fillers!



Are We There – Sharon Von Ette:


Como o título do disco já diz, Sharon se encontra em direção a algo que mal pode esperar pra tocar, mas desde o início, com “Afraid of Nothing” já percebemos que o amor desejado pela cantora não é tangível e sua viagem será longa. A decadência amorosa chega com “Your Love is Killing Me” - Break my legs so I won't walk to you /Cut my tongue so I can't talk to you/Burn my skin so I can't feel you – são algumas das opções para seu amado possa seguir sozinho. O contraste de “Our Love” pode enganar com sua melodia, mas trata-se de um devaneio sobre dias de claridade. “Tarifa” é um dos pontos altos, e sendo assim, mais tristes do album. Em “You Know Me Well”, a atmosfera muda enquanto Sharon canta com peso melancólico na voz. “Every Time the Sun Comes Up” fecha o disco perfeitamente, de forma leve porém desafiadora, tanto para quem escuta, quando para a própria Sharon, afinal, quantas pess
oas encaram o dia mesmo sabendo que estão encrencadas assim que o sol nascer?!