Gramofone na Copa do Mundo 2014: Argélia
Considerada umas das grandes surpresas da Copa do Mundo de 2014, a seleção da Argélia desbancou na fase de grupos a Coréia do Sul e Rússia, avançando para as oitavas de final no evento, e deverá enfrentar a seleção alemã na segunda-feira (30). Para dar continuidade ao especial “Gramofone na Copa” e trazer aos leitores artistas de outras nacionalidades, reunimos algumas das maiores vozes do país africano que, pela primeira vez na história, disputará uma vaga nas quartas-de-final de um dos maiores eventos esportivos do planeta.
Batizada como Zehira Darabid, a
cantora nascida na cidade argelina de Chlef, possui o nome artístico de Zaho e é considerada uma das vozes mais
importantes da atualidade no país africano. Zaho viveu até os 18 anos na
África, quando se mudou para Montreal, Canadá. Desde muito cedo, a artista
aprendeu a tocar violão, mas a paixão ganhou outras proporções quando conheceu
produtores musicais canadenses que possibilitaram o crescimento artístico. Em
2008, Zaho lança o primeiro disco, intitulado DIMA (“Sempre” em árabe), e combinou com maestria a cultura
africana com a canadense e a descendência árabe. No mesmo ano do lançamento de
DIMA, a cantora recebe o EMA na categoria Best African Artist, dando projeção à
carreira da cantora argelina. Quatro anos depois é lançado o segundo trabalho, “Contagieuse”, o qual recebeu certificado
de ouro na França.
A música argelina possui
influências da colonização francesa, no entanto, a música popular do país
mantém viva a cultura e a tradição árabe no país. Conhecido como “Chaabi”, o gênero é característico na
Argélia e no vizinho, Marrocos. Cantado em árabe, é executado, sobretudo, em casamentos
e festivais. O cantor Kamel Messaoudi
é um dos maiores símbolos musicais do país, Kamel já cantava Chaabi aos 14 anos
e ao longo de 25 anos de carreira, lançou mais de 20 discos. Entretanto, o
artista perdeu a vida em um acidente de carro em dezembro de 1998, e mesmo após
o falecimento, Messaoudi é reverenciado pelos argelinos e considerado como a
maior voz da música tradicional.
Além do pop, e Chaabi, outro
gênero que representa a música argelina é o Raï. Tido como uma forma de expressão
no país durante a colonização francesa o Raï
era cantado sobre tudo por jovens que contestavam tanto o domínio francês
quanto os costumes ortodoxos impostos pelo presidente Houari Boumedienne após a independência (1962). Trazendo
referências de outros países, até mesmo com o reggae jamaicano, o gênero chegou
a ser proibido, mas conquistou o gosto dos franceses e fez com que o governo
argelino cedesse às restrições ao Raï. Dentre os cantores mais renomados,
destaca-se Khaled, o qual chegou a
trabalhar com grandes ícones da música internacional, como a francesa Mylène Farmer e até mesmo o rapper Pitbull. O artista fez sucesso no
Brasil em 2000 com a música “El Arbi”,
além disso, é responsável por cantar a música “AbdulQadir”, uma espécie de hino na Argélia e homenagem ao símbolo da luta contra o
domínio francês, o líder politico Abd El-Kader:
