Música como protesto contra os padrões sociais
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| O modelo de que a mulheres devem ficar em casa cuidando dos filhos tem ficado cada vez mais ultrapassado |
Há inúmeros moldes criados pela
indústria fonográfica e até alguns anos, quem não seguisse a cartilha do
sucesso, poderia cair no ostracismo. Alguns artistas resolveram fazer músicas
de protesto contra os padrões visuais, sociais e comportamentais que a
sociedade impõe. Separamos algumas músicas que, de alguma forma, serviram como
hino contra tais modelos:
Não é de hoje que a britânica Lily Allen critica o papel da mulher e a mensagem que
algumas cantoras passam às pessoas. Odiada e admirada por muitas pessoas, a
relação da artista com as colegas de profissão nunca foi exemplar, até porque
desde o começo da carreira, Lily sempre disse que não nasceu para ser stripper
e, portanto, não há porque fazer de tudo para ceder às pressões sociais e ficar
magrinha apenas porque os executivos das gravadoras querem. No single “Hard Out Here”, a cantora destila todo
o veneno contra as cantoras que abusam da sensualidade e dispara que não
precisa sacudir a bunda para ninguém, pois tem um cérebro. Na canção a cantora
faz uma critica não apenas ao machismo defendido por tantos homens, mas também
às artistas adeptas à “coisificação” da mulher.
Britney Spears é conhecida por não expor muitas idéias em
público, blindada pelos assessores, empresários e gravadora, a artista nunca
teve a oportunidade de abrir o coração até o lançamento de “Piece of Me” durante o conturbado “Blackout”. Spears escancarou e em um ato libertário, a performer
discute a superexposição na mídia, a forma como as celebridades são tratadas, a
questão do peso, e também o fato de que uma mulher pode trabalhar e cuidar dos
filhos. Não é a toa que a música é um divisor de águas na carreira da artista e
trazendo uma Britney mais áspera do que nunca, tornou-se símbolo do
renascimento da artista que, após inúmeros escândalos, foi agraciada no ano
seguinte com três VMAs.
Madonna
carregou o estigma de “Material Girl” por
anos, mas com a música “Express Yourself”,
a cantora faz uma reflexão sobre o papel da mulher na sociedade e pede que as
mulheres sejam mais livres. A letra tornou-se um hino que defende o direito das mulheres de
valorização e igualdade. Além de questionar até que ponto bens materiais
interferem na busca e concretização do amor verdadeiro.
A cantora Christina Aguilera gravou para o álbum “Stripped” a música
“Can’t Hold Us Down”. Com uma letra extremamente forte, a intérprete fez
críticas à forma como a mulher é vista na sociedade e à subversão ao homem.
Christina chama os machistas para a briga e pede por uma sociedade mais
igualitária e menos sexista. No coro, a cantora utiliza palavras
marcantes e diz que mulheres precisam ser ouvidas e não apenas vistas: “This
is for my girls all around the world / Who've
come across a man who don't respect your worth / Thinking all women should be
seen, not heard / So what do we do girls? / Shout out loud! / Letting them know
we're gonna stand our ground / Lift
your hands high and wave them proud / Take
a deep breath and say it loud / Never can, never will, can't hold us down”.
Assim como Lily Allen, a polêmica
e irreverente cantora P!nk fez uma crítica à forma como as mulheres no
show business se posicionam. No clipe de “Stupid Girls”, a artista
mostra que muitas cantoras se importem mais com a imagem e esquecem-se do mais
importante: a música. Descontraída, P!nk mostra um lado assustador da estética,
além da coisificação da mulher e os distúrbios alimentares, oriundos
principalmente, de um modelo social pré-definido, o qual é objeto de desejo de
diversas pessoas.
Poderia fazer uma playlist apenas
sobre músicas libertárias da cantora Beyoncé, e vejo a canção “Run
The World” como um hino feminista contemporâneo que mostra uma mulher sob o
controle e não em uma situação subversiva. Apesar da controversa postura
de Lady
Gaga, é inegável que a cantora tenha feito referências ao
feminismo em músicas como "Telephone", "Paparazzi"
e na letra de "Do What You Want", e inclusive chegou a se
definir como uma "pós-feminista", no entanto, tem dividido opiniões e
os setores mais conservadores acreditam que a artista defenda ideias machistas,
o que acredito que não seja o caso.
No Brasil várias personalidades
foram vítimas de bullying por parte da mídia e público pelo fato de
vestirem manequins maiores, com foi o caso das cantoras Preta Gil e Gaby
Amarantos, que apesar de tudo, seguiram as vidas sem se importar com os
padrões sociais. No entanto, a cantora de funk Tati Quebra-Barraco que além de não ligar para a crítica,
ainda por cima tirou sarro da situação. Na música “Sou Feia Mas Tô Na Moda”,
Tati fala que é feia, mas que está na moda e que o fato dela ter dinheiro
até mesmo para pagar o ônibus é o mais importante na concepção da artista.
Desbocada, a cantora foi uma das primeiras a mostrar que a mulher tem os mesmos
direitos que os homens inclusive na sedução, até então, a mulher era desejada e
não tinha o direito de desejar. Valesca
Popozuada seguiu pelo mesmo caminho que Tati e tem
levantado a bandeira da liberdade sexual da mulher em inúmeras músicas.
