domingo, 18 de maio de 2014

Música como protesto contra os padrões sociais

O modelo de que a mulheres devem ficar em casa cuidando dos filhos tem ficado cada vez mais ultrapassado 

Há inúmeros moldes criados pela indústria fonográfica e até alguns anos, quem não seguisse a cartilha do sucesso, poderia cair no ostracismo. Alguns artistas resolveram fazer músicas de protesto contra os padrões visuais, sociais e comportamentais que a sociedade impõe. Separamos algumas músicas que, de alguma forma, serviram como hino contra tais modelos:

Não é de hoje que a britânica Lily Allen critica o papel da mulher e a mensagem que algumas cantoras passam às pessoas. Odiada e admirada por muitas pessoas, a relação da artista com as colegas de profissão nunca foi exemplar, até porque desde o começo da carreira, Lily sempre disse que não nasceu para ser stripper e, portanto, não há porque fazer de tudo para ceder às pressões sociais e ficar magrinha apenas porque os executivos das gravadoras querem. No single “Hard Out Here”, a cantora destila todo o veneno contra as cantoras que abusam da sensualidade e dispara que não precisa sacudir a bunda para ninguém, pois tem um cérebro. Na canção a cantora faz uma critica não apenas ao machismo defendido por tantos homens, mas também às artistas adeptas à “coisificação” da mulher.


Britney Spears é conhecida por não expor muitas idéias em público, blindada pelos assessores, empresários e gravadora, a artista nunca teve a oportunidade de abrir o coração até o lançamento de “Piece of Me” durante o conturbado “Blackout”. Spears escancarou e em um ato libertário, a performer discute a superexposição na mídia, a forma como as celebridades são tratadas, a questão do peso, e também o fato de que uma mulher pode trabalhar e cuidar dos filhos. Não é a toa que a música é um divisor de águas na carreira da artista e trazendo uma Britney mais áspera do que nunca, tornou-se símbolo do renascimento da artista que, após inúmeros escândalos, foi agraciada no ano seguinte com três VMAs.


Madonna carregou o estigma de “Material Girl” por anos, mas com a música “Express Yourself”, a cantora faz uma reflexão sobre o papel da mulher na sociedade e pede que as mulheres sejam mais livres. A letra tornou-se um hino que defende o direito das mulheres de valorização e igualdade. Além de questionar até que ponto bens materiais interferem na busca e concretização do amor verdadeiro.


A cantora Christina Aguilera gravou para o álbum “Stripped” a música “Can’t Hold Us Down”. Com uma letra extremamente forte, a intérprete fez críticas à forma como a mulher é vista na sociedade e à subversão ao homem. Christina chama os machistas para a briga e pede por uma sociedade mais igualitária e menos sexista. No coro,  a cantora utiliza palavras marcantes e diz que mulheres precisam ser ouvidas e não apenas vistas: “This is for my girls all around the world / Who've come across a man who don't respect your worth / Thinking all women should be seen, not heard / So what do we do girls? / Shout out loud! / Letting them know we're gonna stand our ground / Lift your hands high and wave them proud / Take a deep breath and say it loud / Never can, never will, can't hold us down”.



Assim como Lily Allen, a polêmica e irreverente cantora P!nk fez uma crítica à forma como as mulheres no show business se posicionam. No clipe de “Stupid Girls”, a artista mostra que muitas cantoras se importem mais com a imagem e esquecem-se do mais importante: a música. Descontraída, P!nk mostra um lado assustador da estética, além da coisificação da mulher e os distúrbios alimentares, oriundos principalmente, de um modelo social pré-definido, o qual é objeto de desejo de diversas pessoas.



Poderia fazer uma playlist apenas sobre músicas libertárias da cantora Beyoncé, e vejo a canção “Run The World” como um hino feminista contemporâneo que mostra uma mulher sob o controle e não em uma situação subversiva. Apesar da controversa postura de Lady Gaga, é inegável que a cantora tenha feito referências ao feminismo em músicas como "Telephone", "Paparazzi" e na letra de "Do What You Want", e inclusive chegou a se definir como uma "pós-feminista", no entanto, tem dividido opiniões e os setores mais conservadores acreditam que a artista defenda ideias machistas, o que acredito que não seja o caso.


No Brasil várias personalidades foram vítimas de bullying por parte da mídia e público pelo fato de vestirem manequins maiores, com foi o caso das cantoras Preta Gil e Gaby Amarantos, que apesar de tudo, seguiram as vidas sem se importar com os padrões sociais. No entanto, a cantora de funk Tati Quebra-Barraco que além de não ligar para a crítica, ainda por cima tirou sarro da situação. Na música “Sou Feia Mas Tô Na Moda”, Tati fala que é feia, mas que está na moda e que o  fato dela ter dinheiro até mesmo para pagar o ônibus é o mais importante na concepção da artista. Desbocada, a cantora foi uma das primeiras a mostrar que a mulher tem os mesmos direitos que os homens inclusive na sedução, até então, a mulher era desejada e não tinha o direito de desejar. Valesca Popozuada seguiu pelo mesmo caminho que Tati e tem levantado a bandeira da liberdade sexual da mulher em inúmeras músicas.