quinta-feira, 24 de abril de 2014

Neofascismo vence mais uma batalha contra a igualdade


Há um impasse sobre a abordagem da sexualidade nas escolas e de que forma ela deve ser feita pelos educadores. No entanto, ao mesmo tempo em que muitos pais transferem a responsabilidade de educar os filhos aos professores, em muitos casos, são os mesmos que não concordam com a educação sexual dentro das escolas.

De acordo com os dados levantados durante a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar pelo IBGE em 2009, 47% dos alunos com até 14 anos já tiveram uma relação sexual e em algumas cidades, houve vista grossa sobre a abordagem da educação sexual nas aulas de biologia.


Nesta semana, reacendeu a discussão sobre a questão da sexualidade nas escolas com a votação do Plano Nacional de Educação (PNE), o qual é um documento que estabelece metas para os próximos 10 anos com o objetivo de melhorar a educação no país. Entretanto, um dos artigos sofreu grande resistência pela ala conservadora do Congresso, liderada pelo deputado de extrema-direita Jair Bolsonaro (PP/RJ), Marco Feliciano (PSC/SP) e Pastor Eurico (PSB/PE), foi retirada do texto a diretriz que propõe a superação das desigualdades educacionais, "com ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual. Segundo os opositores, o PNE ensinaria as crianças a serem homossexuais.

Agora pergunto aos leitores do Gramofone Online, quando haverá a discussão da homossexualidade, machismo e racismo nas escolas brasileiras? Ninguém está interessado em desenvolver ações que visem combater a igualdade de gênero e os preconceitos raciais e sexuais, muito pelo contrário.


Para a turma conservadora é melhor que a população acredite que a mulher deva ficar em casa cuidando dos filhos, que o estupro ocorre porque usou uma roupa provocativa, e que se apanha do marido e continua ao lado dele, é por que gosta; que o homossexual é assim porque nunca conheceu alguém do sexo oposto que “fizesse o serviço direito”; e que o negro continua sendo inferior a qualquer outro indivíduo na sociedade. Por mais que gritemos que a mulher não merece ser estuprada, que o negro não é bandido, que o índio não é marginal e que o homossexual não é pedófilo, são eles que trabalham diariamente para destruir os poucos direitos que as minorias conquistaram através de muita luta, suor e sangue. 

Berço do nazismo, a Alemanha reproduziu livros infantis que, de alguma forma, explicam às crianças a homossexualidade e que independente da orientação sexual, todos são iguais na sociedade, uma realidade completamente diferente da brasileira. Somos a quinta maior economia do mundo, mas continuamos com o pensamento ultrapassado e ainda não aprendemos que não há desenvolvimento sem igualdade e justiça social.


Portanto, antes de achar que o seu voto não fará diferença, lamento informar, mas faz sim. Está mais do que na hora das minorias se unirem e escolherem representantes que defendam os interesses de quem os elegeu. As mulheres representam 52% da população, mas a participação da mulher no Congresso não chega a 10%. Além disso, não adianta um Jean Wyllys trabalhando sozinho ao lado de dez Marco Feliciano, pois como diz o velho ditado: Uma andorinha só não faz verão.