Humor a qualquer custo: preconceito ainda tem graça?
Não é de hoje que venho reparado a quantidade de programas humorísticos na televisão, mas o que vem me chamado a atenção é um elemento fundamental que tem faltado nos roteiros dessas atrações: o humor. Dentre os maiores ingredientes do humor brasileiro, o uso de estereótipos é talvez a principal matéria-prima destas atrações. Há pelo menos um programa deste gênero em todos os canais brasileiros, mas isso não quer dizer que o conteúdo seja variado, muito pelo contrário, a maioria explora com exaustão as piadas carregadas de preconceito e ignorância.
Em um país que detém as maiores taxas de estupro, não dá para aceitar que alguém diga que “a mulher feia que é estuprada, deveria agradecer ao violentador” como se fosse engraçado, pois, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada 12 segundos uma mulher é violentada no Brasil.
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Programa "A Praça É Nossa" com Carlos Alberto de Nóbrega
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Há uma espécie de banalização do humor e de repente tudo aquilo que não deveria aparecer na mídia, resolve emergir. Como se não bastasse a "coisificação" da mulher nos programas de humor, outros segmentos da sociedade também sofrem com as sátiras; carregadas de preconceito linguístico-social, eles ridicularizam os menos favorecidos; tal como são capazes de escancarar o machismo, racismo e a xenofobia. Isso sem mencionar nomes, é “humorista” dizendo que comeria a mãe grávida e o bebê; apresentador de talk show tirando sarro da maior doadora de leite materno no Brasil, comparando-a com uma vaca leiteira em rede nacional; é cantora sendo vítima de lipofobia (discriminação contra pessoas acima do peso); é o homossexual sendo estereotipado e ridicularizado em praticamente todos os programas de “humor”; e também a utilização medieval de anões durante tais atrações, as quais procuram torná-los abominações da sociedade. Tanto que já me questionei se estava na Idade Média ou não, pois é inconcebível que em pleno século XXI, ainda usem anões como bobos da corte.
Disputa entre anões no Programa Pânico na Band
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| Tatá Werneck interpretando a atrapalhada Roxanne no extinto Comédia MTV |

