Marcha da Família: Vozes que emergem dos esgotos
Pode parecer um quadro de
algum programa humorístico brasileiro, mas por incrível que pareça não é. Um
evento que vem ganhando força na mídia nacional é a reedição da Marcha da
Família com Deus. Um evento que foi realizado anteriormente ao Golpe de 1964 por
um grupo da sociedade que não aceitava o fato de o presidente da época, João
Goulart, querer aplicar as famosas Reformas de Base, as quais previam a reforma
agrária, distribuição de renda e outros programas que poderiam ter tirado o
Brasil do sistema colonialista.
As pessoas foram às ruas
protestar contra o tal Golpe Comunista que Jango supostamente planejava fazer,
e esta foi uma carta branca dos militares fazerem uma intervenção e depor o
então presidente. Instaurada a Ditadura, os militares foram cortando todos os
direitos do cidadão com os chamados Atos Inconstitucionais.
De acordo com os
manifestantes da Marcha da Família, a ideia da manifestação era de mostrar que
o Brasil estava infestado de corruptos e apenas o exército seria capaz de fazer
a limpeza que a “vassourinha” de Jânio Quadros não foi capaz de fazer.
Neste ano, “celebramos” os
50 anos do Golpe Militar e assim como há meio século atrás, pessoas se reúnem
com o mesmo propósito e pedem outra intervenção do exército. Organizadores da
reedição da Marcha da Família renegam o fato de que pessoas foram assassinadas
durante os 21 anos de Ditadura ou sofrem até hoje as sequelas deste período
nebuloso de nossa história.
Não acredito que uma
intervenção militar seja capaz de acabar com a corrupção, muito pelo contrário,
os “filhos da Ditadura” são hoje muitos de nossos representantes no Congresso
Nacional e 29 anos após o fim dos Anos de Chumbo, continuam dominando o nosso
país.
Nota-se uma relação muito
próxima do brasileiro com os golpes: em 1889 o Brasil tornou-se República com
um Golpe Militar, Getúlio Vargas derrubou a República Velha em 1930 com mais
outro, no dia 1º de abril de 1964 o presidente Jango foi deposto pelos militares e não podemos
deixar que o Brasil seja vítima de uma intervenção militar liderada por setores ultraconservadores. Pessoas
como Bolsonaro devem ser varridas de Brasilia e não colocadas no Palácio do
Planalto, Congresso ou Supremo Tribunal Federal.
