Justiça Social versus Meritocracia
por Jonathan Seronato
A sociedade brasileira mudou nos últimos anos, mas infelizmente só não evoluiu mais, pois há uma parcela da sociedade que não concorda com o fato do governo ajudar os menos favorecidos, para ela, os pobres devem sair da pobreza sozinhos e a sociedade deve ser baseada em uma espécie de darwinismo social, na qual apenas os mais fortes sobreviverão.
A maioria daqueles que pedem justiça social é a mesma que não admite que as minorias tenham vez e voz, contribuindo para que os negros, indígenas e pobres continuem invisíveis aos demais. Nunca fui beneficiado pelas cotas ou programas do governo, mas concordo com elas e com as medidas realizadas nas áreas de saúde, economia e educação, reconheço que está longe do necessário, mas é inquestionável que os avanços nos últimos anos foram significativos.
Grande parte dos políticos brasileiros é voltada à Política de Governo e infelizmente o país nunca foi adepto às Políticas de Estados - aquelas que mesmo mudando de governo, não serão abandonadas. Até 2002 era uma incógnita o que aconteceria na próxima gestão devido ao fato de que muitos políticos não davam continuidade aos programas. O bolsa escola, vale gás e bolsa alimentação foram criados no governo Fernando Henrique Cardoso e unificados em 200 no governo Lula, o primeiro indício de que não deve-se mexer no time que está ganhando, uma prova de que o Brasil aprendeu o significado de Política de Estado.
Os paladinos da verdade falam que os programas sociais são medidas eleitoreiras e Estado dá a vara e não ensina a pescar. Longe de mim fazer propaganda política, mas será que os pobres não têm aprendido a pescar? Em menos de 15 anos, o número de pessoas que saíram da pobreza extrema foi de 30 milhões, o salário mínimo subiu 53% e o poder de compra do brasileiro foi dobrado, além da criação de 13 milhões de empregos com carteira assinada.
Obviamente as pessoas falarão mal do Bolsa Família, Fome Zero, FIES, ProUni e tarifas sociais da água e luz, mas não comentam sobre a Bolsa Dondoca, a pensão que as madames solteironas recebem mesmo que elas tenham filhos e vivam uma união estável com outros homens. Quem neste caso não quer pescar? Os pobres ou as madames que recebem mais de quatro mil reais por mês?
Portanto, pedir igualdade na sociedade atual é dar continuidade a um modelo injusto e desigual. As cotas sociais e raciais são eficientes naquilo que se propõem a fazer, pois além de contribuir para saldar uma dívida histórica com as minorias (negros, índios e pobres), dão a oportunidade para que as universidades não sejam restritas aos ricos.
Quem é contrário aos programas sociais só pode ser mal intencionado e egoísta, ao ponto de fazer questão de que o pobre continue na mesma situação. Independente de quem vencer as eleições em 2014, espero que governem para o povo que o elegeu, e não para a coligação e financiadores da campanha.
por Jonathan Seronato
