segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Jornalismo cidadão e a banalização da informação



Pode parecer um tanto quanto antiético da minha parte criticar o jornalismo, mas acredito que há alguns pontos que devem ser criticados justamente para que ocorra uma reflexão na sociedade sobre a forma com a grande maioria dos profissionais de comunicação têm trabalhado.

Independente da mídia e veículo, tenho notado que o banal tem tomado cada vez mais espaço das páginas dos jornais, revistas, programas de televisão e rádio e portais. Deram mais ênfase ao tornozelo quebrado do “esportista” Anderson Silva às enchentes que mataram 24 pessoas no Espírito Santo.

O problema não é apenas produzir este tipo de informação - até porque a sociedade é quem pauta o jornalista na maioria das vezes, mas quem consome produtos jornalísticos. Sou apaixonado pela profissão que escolhi há seis anos e o que me inspira é justamente a população carente e sem voz perante a sociedade que necessita ser ouvida, e não o jogador de futebol que largou a namorada para ficar com outra.

Não sou o jornalista “Clark Kent”, mas quero acreditar que posso fazer a diferença como profissional e não ser apenas mais um repetidor de “des/informação”. Portanto, admiro o jornalista que se atende ao papel social do comunicador e procura entender a sociedade para poder expressar de uma forma mais clara aos receptores.

Fala-se muito que os jornalistas não são bem preparados nas universidades, mas sou obrigado a discordar, o que falta é referência e sensibilidade e infelizmente não fazem parte da grade curricular dos cursos de comunicação.

Acho válido falar sobre casos banais, mas jamais serão mais importantes que a insegurança nos bairros, trânsito, clima, economia, cultura e política. A pirâmide se inverteu impera a relevância da irrelevância.

O apelo que faço não é apenas como jornalista, mas como cidadão, é de que a sociedade atenha-se mais à informação e menos à cultura do inútil. Não adianta reclamar da corrupção, violência e injustiça social sem ao menos fazer nada para reverter o quadro. Neste aspecto sou um tanto individualista e vejo que o mundo seria melhor se cada um fizer a sua parte.