BRASIL: O país do futebol, música religiosa e do complexo de vira-latas
por Jonathan Seronato
Conhecido mundialmente por ser o
país do futebol, o Brasil tem mostrado que não dribla apenas nos gramados, mas
também nas lojas de discos. O cenário musical no Brasil é riquíssimo e o que
poucos sabem é que cantores religiosos têm expandido cada vez mais e angariado
alguns recordes, como é o caso do Padre Marcelo Rossi, que possui o álbum mais
vendido no Brasil, lançado em 1998, o disco “Músicas Para Louvar Ao Senhor”
vendeu mais de 3,5 milhões de cópias em todo o país, desbancando a eterna
rainha dos baixinhos, Xuxa; Leandro & Leonardo; É o Tchan; Sandy &
Junior; etc.
A discussão que quero trazer aos
leitores do Gramofone Online é o que falta para que os discos no Brasil vendam
mais do que os internacionais? Definitivamente não é o aspecto qualidade, há uma
infinidade de cantores norte-americanos que não possuem conteúdo algum, mas que
vendem milhões de discos em nosso país. Creio que as pessoas têm vergonha de
consumir a música nacional, talvez seja porque a grande maioria dos brasileiros
tenha um complexo de vira-latas que impede que apreciem o produto tupiniquim e
opte pelo “enlatado”. O sucesso da
música religiosa se aplica ao fato de que, independente da crença, o brasileiro
é religioso e não tem vergonha de admitir.
Particularmente não sou um dos
maiores fãs da música sertaneja e mesmo que fosse, acredito que as rádios no
Brasil devessem ser mais democráticas e variar. Podem tocar Luan Santana,
Gusttavo Lima e Michel Teló, mas porque não Luiza Possi, Marina Elali, Maria
Rita, Vanessa da Mata, Roberta Sá, Céu, Ana Cañas, etc.
Acho válido que um cantor cante
em inglês, inclusive o eterno Tom Jobim chegou a gravar álbuns bilíngues, mas
recentemente confesso que me incomodei com a vitória do cearense Sam Alves no
reality show The Voice Brasil, não consigo levar a sério um cantor que em
praticamente todo o repertório foi cantado em inglês. Nós sabemos que ele havia
sido rejeitado pela Shakira, Usher, Blake Shelton e Adam Levine no The Voice
norte-americano, mas qual a necessidade de cantar em um programa brasileiro
apenas músicas americanas?
Há cantores no Brasil tão bons
quanto os religiosos e sertanejos, talvez a música devesse ser mais democrática
e acessível para todos os gostos.
