quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

BRASIL: O país do futebol, música religiosa e do complexo de vira-latas


por Jonathan Seronato

Conhecido mundialmente por ser o país do futebol, o Brasil tem mostrado que não dribla apenas nos gramados, mas também nas lojas de discos. O cenário musical no Brasil é riquíssimo e o que poucos sabem é que cantores religiosos têm expandido cada vez mais e angariado alguns recordes, como é o caso do Padre Marcelo Rossi, que possui o álbum mais vendido no Brasil, lançado em 1998, o disco “Músicas Para Louvar Ao Senhor” vendeu mais de 3,5 milhões de cópias em todo o país, desbancando a eterna rainha dos baixinhos, Xuxa; Leandro & Leonardo; É o Tchan; Sandy & Junior; etc.

A discussão que quero trazer aos leitores do Gramofone Online é o que falta para que os discos no Brasil vendam mais do que os internacionais? Definitivamente não é o aspecto qualidade, há uma infinidade de cantores norte-americanos que não possuem conteúdo algum, mas que vendem milhões de discos em nosso país. Creio que as pessoas têm vergonha de consumir a música nacional, talvez seja porque a grande maioria dos brasileiros tenha um complexo de vira-latas que impede que apreciem o produto tupiniquim e opte pelo “enlatado”.  O sucesso da música religiosa se aplica ao fato de que, independente da crença, o brasileiro é religioso e não tem vergonha de admitir.

Particularmente não sou um dos maiores fãs da música sertaneja e mesmo que fosse, acredito que as rádios no Brasil devessem ser mais democráticas e variar. Podem tocar Luan Santana, Gusttavo Lima e Michel Teló, mas porque não Luiza Possi, Marina Elali, Maria Rita, Vanessa da Mata, Roberta Sá, Céu, Ana Cañas, etc.

Acho válido que um cantor cante em inglês, inclusive o eterno Tom Jobim chegou a gravar álbuns bilíngues, mas recentemente confesso que me incomodei com a vitória do cearense Sam Alves no reality show The Voice Brasil, não consigo levar a sério um cantor que em praticamente todo o repertório foi cantado em inglês. Nós sabemos que ele havia sido rejeitado pela Shakira, Usher, Blake Shelton e Adam Levine no The Voice norte-americano, mas qual a necessidade de cantar em um programa brasileiro apenas músicas americanas?


Há cantores no Brasil tão bons quanto os religiosos e sertanejos, talvez a música devesse ser mais democrática e acessível para todos os gostos.