Aborto e a pena de morte no Brasil
por Jonathan Seronato
Provavelmente você já deve ter escutado algum troll gruindo que bandido bom é bandido morto, certo? Pois bem, há anos tenho escudado alguns indivíduos tecendo este tipo de discurso impregnado de desinformação e ignorância, e infelizmente não consigo pensar em outra coisa além de que vivemos em uma sociedade primitiva.
Coincidência ou não, fazem uma campanha contra o aborto extremamente desconexa, pois alegam ser favoráveis à vida e por isso não podem decidir sobre a vida de outra pessoa. Não sei se vocês conseguiram entender a falta de coerência, mas ao mesmo tempo em que eles pedem a cabeça de um criminoso, não concordam com o aborto, pois dão valor ao ser humano.
De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), estima-se que cerca de 550 mil pessoas estão presas do Brasil, tornando o país o quarto com a maior população carcerária do mundo, e 250 mil detentos além da capacidade máxima. Muitos vêm a pena de morte não apenas para a redução do número de detentos, mas uma forma de tirar do Estado a responsabilidade de recuperar os infratores.
No entanto, não sabem que a maioria dos detentos no Brasil é formada por pessoas pobres, da classe média baixa. Aproximadamente 70% delas não completaram o Ensino Fundamental e 10% são analfabetos. Além destes dados evidenciam ainda mais a desigualdade dentro dos presídios, quase metade dos presos do país está atrás das grades por terem cometido roubo. Não consigo fazer nenhuma outra analogia à pena de morte sem pensar nos campos de concentração nazistas, como foi o caso de Auschwitz.
Se a grande maioria das pessoas que estão atrás das grades é pobre, o que dizer de quem possui poder aquisitivo elevado e comete crimes, será que essas pessoas são julgadas ao rigor da lei? A justiça, de fato, é válida para quem?
Em maio de 2009 o Estado do Paraná apareceu nos principais noticiários do país, o então deputado estadual Carli Filho dirigia alcoolizado a 190 km/h, assassinando os jovens Gilmar Yared e Carlos Murilo de Almeida. Carli Filho recorreu e desde 2009 aguarda o julgamento que, ano após ano, é empurrado com a barriga pelos advogados de defesa. Será que Carli Filho já teria sido julgado caso não fosse de uma família importante do interior do Paraná?
Se dissermos que o aborto é um crime contra a vida, o que dizer sobre milhares de mulheres pobres que morrem em clínicas clandestinas? Obviamente o aborto não é apenas um caso isolado aos pobres, quem possui condições financeiras, vai a clinicas de luxo e não saem de lá estéreis ou com o próprio atestado de óbito.
No ano passado o Uruguai descriminalizou o aborto e com isso o número de mulheres que entraram em óbito por interromperem a gravidez foi praticamente nulo.
Não vejo a necessidade de implantar a pena de morte e intensificar o genocídio contra os pobres dentro dos presídios, o que devemos reivindicar que o sistema carcerário recupere de fato e que o tempo de reclusão seja não apenas como uma oportunidade de repensar sobre a vida e os crimes cometidos, mas de fazer cursos técnicos a fim de preparar para a ressocialização após o cumprimento da pena.
por Jonathan Seronato
Provavelmente você já deve ter escutado algum troll gruindo que bandido bom é bandido morto, certo? Pois bem, há anos tenho escudado alguns indivíduos tecendo este tipo de discurso impregnado de desinformação e ignorância, e infelizmente não consigo pensar em outra coisa além de que vivemos em uma sociedade primitiva.
