sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A internação compulsória de dependentes químicos é a solução?



A dependência química tem sido cada vez mais freqüente nos lares brasileiros e no resto do mundo, seja ela licita ou ilícita, tem destruído vidas e causado diversas reações na sociedade. De acordo com o Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos (Lenad Família), feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), divulgado em dezembro do ano passado, ao menos 28 milhões de pessoas no Brasil têm algum familiar que é dependente químico. Número preocupante e que vem sido combatido pelo poder público de inúmeras formas.

Governado pelo mesmo grupo político há mais de três décadas, o estado de São Paulo possui um dos maiores números de usuários e infelizmente esta parcela da sociedade tem sido ignorada e marginalizada pelos governadores que passaram pelo Palácio dos Bandeirantes – sede do governo de SP. Até que janeiro do ano passado, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) resolveu mostrar a sociedade que a melhor saída para acabar com dependência é obrigar o usuário a passar por um processo de desintoxicação, mesmo que a família seja contrária à internação.

Fico espantado em saber que Alckmin desconhece o fato de que não adianta colocar um dependente químico em uma clínica, sendo que o Estado não oferece condições para que este indivíduo seja reinserido na sociedade. Do que adianta internar se falta opção de lazer, trabalho, saúde, educação e principalmente, estrutura psicológica para que ele se reabilite completamente?

Obviamente a ação de Alckmin transformou-se em mais um fracasso do governador tucano e para mostrar à sociedade que ele se importava com a questão da Cracolândia, resolveu colocar a Polícia Civil com bombas de efeito moral e uma centena de balas de borracha, fazendo a alegria dos despolitizados e afrontando os Direitos Humanos. A ação que teve como resultado a detenção de 34 pessoas, foi presenciada pelo secretário municipal de Segurança Urbana, Roberto Porto, estremecendo ainda mais a relação entre o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB).

Na contramão de outros gestores, Fernando Haddad lançou um programa cuja característica principal é dar oportunidade e auxílio aos usuários de crack para que a recuperação seja de uma forma efetiva. Ao invés de bombas e as balas de borracha ofertadas por Alckmin, o usuário que aderir ao “Programa Braços Abertos” tem direito a moradia, alimentação trabalho e assistência médica, psicológica e social.

A discussão que quero trazer aos leitores do Gramofone Online é a seguinte, será que a melhor saída para um usuário de drogas é colocá-lo em um carro e tratá-lo como um animal ou dar assistência para que este indivíduo se recupere? Não sei se vocês pensam da mesma forma que eu, mas acredito que o mundo precise de mais voluntários e de medidas mais efetivas ao invés de balas de borracha e bombas de efeito moral.