A internação compulsória de dependentes químicos é a solução?

A dependência química tem sido cada vez mais freqüente
nos lares brasileiros e no resto do mundo, seja ela licita ou ilícita, tem
destruído vidas e causado diversas reações na sociedade. De acordo com o
Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos (Lenad Família),
feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), divulgado em dezembro
do ano passado, ao menos 28 milhões de pessoas no Brasil têm algum familiar que
é dependente químico. Número preocupante e que vem sido combatido pelo poder
público de inúmeras formas.
Governado pelo mesmo grupo político há mais de três
décadas, o estado de São Paulo possui um dos maiores números de usuários e
infelizmente esta parcela da sociedade tem sido ignorada e marginalizada pelos
governadores que passaram pelo Palácio dos Bandeirantes – sede do governo de
SP. Até que janeiro do ano passado, o governador Geraldo Alckmin (PSDB)
resolveu mostrar a sociedade que a melhor saída para acabar com dependência é
obrigar o usuário a passar por um processo de desintoxicação, mesmo que a
família seja contrária à internação.
Fico espantado em saber que Alckmin desconhece o fato
de que não adianta colocar um dependente químico em uma clínica, sendo que o
Estado não oferece condições para que este indivíduo seja reinserido na
sociedade. Do que adianta internar se falta opção de lazer, trabalho, saúde,
educação e principalmente, estrutura psicológica para que ele se reabilite
completamente?
Obviamente a ação de Alckmin transformou-se em mais um
fracasso do governador tucano e para mostrar à sociedade que ele se importava
com a questão da Cracolândia, resolveu colocar a Polícia Civil com bombas de
efeito moral e uma centena de balas de borracha, fazendo a alegria dos
despolitizados e afrontando os Direitos Humanos. A ação que teve como resultado
a detenção de 34 pessoas, foi presenciada pelo secretário municipal de
Segurança Urbana, Roberto Porto, estremecendo ainda mais a relação entre o
prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e o governador paulista Geraldo
Alckmin (PSDB).
Na contramão de outros gestores, Fernando Haddad
lançou um programa cuja característica principal é dar oportunidade e auxílio
aos usuários de crack para que a recuperação seja de uma forma efetiva. Ao
invés de bombas e as balas de borracha ofertadas por Alckmin, o usuário que
aderir ao “Programa Braços Abertos” tem direito a moradia, alimentação trabalho
e assistência médica, psicológica e social.
A discussão que quero trazer aos leitores do Gramofone
Online é a seguinte, será que a melhor saída para um usuário de drogas é
colocá-lo em um carro e tratá-lo como um animal ou dar assistência para que
este indivíduo se recupere? Não sei se vocês pensam da mesma forma que eu, mas
acredito que o mundo precise de mais voluntários e de medidas mais efetivas ao
invés de balas de borracha e bombas de efeito moral.